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COMO ENFRENTAR A CRISE E PRESERVAR A SAÚDE FINANCEIRA DO SEU NEGÓCIO DIANTE DA COVID-19.

Os impactos do novo coronavírus já estão sendo sentidos pelas empresas brasileiras. Um dos principais reflexos é a queda no faturamento, e diante deste e, de outros possíveis impactos econômicos as empresas devem rever seus planejamentos e se adaptar o quanto antes. Manter a calma, mas agir com o devido senso de urgência é fundamental em momentos de crise como o que estamos vivendo.

É momento de ter total atenção as medidas de prevenção, mas não podemos esquecer as nossas empresas, sobretudo os pequenos e médios negócios que são responsáveis por tantos empregos em nosso país. Essas empresas vem sobrevivendo ao longo dos últimos anos e agora estão encarando uma tripla crise, a econômica, financeira e a crise ocasionada pela pandemia do coronavirus.


Falamos muito sobre gestão aqui na Resultadus, mas nunca vimos tanto na prática o que significa “um mês ruim” para os negócios. O grande ponto é não só reestruturar o pilar financeiro das empresas, mas reestruturá-las integralmente para se manterem realmente ativas no mercado.


Nossa equipe elaborou um roteiro de ações que podem ajudar as empresas a enfrentar a crise e preservar a sua saúde financeira diante destes acontecimentos.


DIAGNÓSTICO INICIAL


Primeiramente um diagnóstico inicial é fundamental para identificar claramente os problemas a serem enfrentados. De forma prática, esse diagnóstico não precisa ser longo e nem exaustivo, mas precisa responder a perguntas, como:


- A empresa tem recursos suficientes para sobreviver? Por quanto tempo?

- Quais as perspectivas de estabilização de uma eventual crise de liquidez?

- Quais as perspectivas dos credores (bancos e fornecedores) apoiarem o processo de estabilização?


Respondidas essas questões, algumas medidas podem ser adotadas, tais como:


1. Projetar as vendas: Por mais imprevisível que seja o cenário, é importante que se faça um exercício diário de projeção de demanda e simulação do impacto de uma queda significativa nas vendas no fluxo de caixa do negócio.


2. Rever a demanda e adequar o planejamento de compras: Diante das incertezas é fundamental rever a demanda, adequar os pedidos de compras e os níveis de estoque. Manter um bom giro do estoque neste momento pode ser decisivo para a continuidade do negócio. Estoque de produtos perecíveis devem ter uma atenção maior para evitar prejuízos. A venda de estoques obsoletos, a devolução de estoques excedentes e o cancelamento de pedidos ainda não entregues também devem ser avaliados.


3. Organizar o fluxo de caixa: Em uma situação de crise de liquidez é necessário estabelecer a posição atual de caixa e preparar as projeções o mais rápido possível. Nunca foi tão importante fazer a separação entre as despesas fixas e variáveis. Nas despesas fixas entram gastos como aluguel, folha de pagamento e manutenções. Já nas despesas variáveis entram gastos com insumos, que variam de acordo com as próprias vendas. Com a projeção de queda nas vendas os gastos variáveis devem cair proporcionalmente. Já os gastos fixos permanecem na mesma proporção, independente das vendas e devem receber uma atenção especial.


4. Mapear os gastos que podem ser cortados: Este é o momento cancelar ou reduzir as despesas não críticas, como, por exemplo, gastos com manutenções não essenciais. Para um prestador de serviço pode ser mais interessante baixar o valor do que perder o cliente. O mesmo raciocínio serve para o aluguel. Pensar no conceito da essencialidade pode ajudar no corte de gastos, mas o importante é adequar – mesmo que de forma momentânea – a estrutura do negócio à sua capacidade de geração de receita, caso contrário a empresa estará gerando passivos que podem ser de difícil saneamento no futuro.


5. Foco em vendas com contribuição positiva: Uma boa parte das empresas possui em seu portfólio produtos com margens baixas e/ou até mesmo negativas. É o momento de reavaliar esses itens. O foco precisa estar concentrado em vendas com contribuição positiva para o fluxo de caixa.


6. Renegociar os compromissos antes de se tornarem inadimplentes: A recomendação aqui é não esperar as dívidas vencerem para procurar ajuda. Se após as análises e, ações anteriores, o empreendedor constatar que não terá fluxo suficiente para pagar todas as contas, a recomendação é dialogar com antecedência com fornecedores/credores e buscar um acordo para que a empresa mantenha em dia o cronograma de pagamento. Não é hora de animosidades, é fundamental manter a calma e um bom relacionamento com todos, além é claro da manutenção do fornecimento.


7. Potencializar os canais de venda on-line: Os canais digitais vem tendo uma representatividade cada vez maior no faturamento das empresas. Se o seu negócio ainda não está inserido neste contexto é hora de iniciar. Se já atua nos canais online, é hora de reforçar. Lembrando que existem diversas opções gratuitas e com baixos investimentos como: sites, redes sociais, aplicativos de mensagens, etc.


8. Rever os planos de expansão: É o momento para focar em ações de curto prazo. Ainda não sabemos os rumos da economia no pós crise e os novos padrões de consumo que poderão surgir. O fato é que poderemos ter transformações importantes, e esse momento é de postergar os investimentos.


9. Antecipar recebíveis: A antecipação dos recebíveis pode ser uma boa alternativa para que o empreendedor possa manter as contas em dia. Mas cuidado ao antecipar sem antes fazer uma profunda avaliação das recomendações anteriores. Oferecer descontos adicionais para incentivar a liquidação antecipada de faturas por parte dos clientes também pode ser uma boa alternativa.


10. Cuidado ao tomar empréstimos: Neste momento as linhas de crédito podem ajudar, desde que todas as demais recomendações tenham sido avaliadas e se as projeções de fluxo de caixa indicarem a capacidade de pagamento. Opções como cheque especial devem ser evitadas, salvo nos casos em que exista a real capacidade de pagamento no curto prazo. Para cobrir gastos por períodos maiores o ideal é buscar opções com taxas menores, carência maior e com a menor garantia possível.


11. Gestão de pessoas: Se for possível antecipe as férias de alguns colaboradores ou conceda férias coletivas para parte da equipe. Outra opção para empresas que possuem essa previsão é a utilização do banco de horas. O período sem trabalhar poderá ser compensado quando a empresa retornar as atividades. Adotar o home office entre a equipe, além de colaborar para as medidas de prevenção, também pode ajudar a diminuir alguns gastos fixos. A redução das atividades pode ser uma boa oportunidade para – mesmo que online – aproximar-se dos colaboradores, debater ideias e desenvolver estratégias e ações para o pós crise.


12. Não ser oportunista: Momentos como este exigem muita transparência e bom senso. Todos estão sofrendo os mesmos impactos e o mercado percebe rapidamente as atitudes negativas. O processo de comunicação em um momento de crise é fundamental para trazer mais segurança a todos envolvidos.


13. Avaliar alternativas de saída: Se após avaliar as recomendações anteriores o empreendedor entender que o futuro do negócio está comprometido, possíveis opções de saída, fusões ou alianças estratégicas deverão ser consideradas, inclusive a venda de partes do negócio, de unidades ou uma liquidação ordenada. É um momento em que o empreendedor precisa deixar a emoção de lado.


14. Acompanhar com atenção as medidas anunciadas pelo governo: No dia 16 de março o governo anunciou um pacote de medidas de apoio as empresas. Entre elas está o diferimento no recolhimento de impostos do Simples Nacional e a possibilidade de adiar o pagamento do FGTS nos próximos três meses. Acreditamos que outras medidas de apoio as empresas deverão ser anunciadas em breve.


15. Manter-se próximo das entidades de classe: É momento de união. As Federações e Sindicatos exercem um papel fundamental nestes momentos. Procure estar próximo dos representantes do seu setor para entender as medidas que estão sendo propostas, debater e propor ideias.


16. Fique atento as oportunidades: Crises empresariais são grandes oportunidades de mudança. Grandes organizações e muitos dos produtos que se transformaram no material que compõe a sociedade, nasceram de pequenos negócios ou de crises históricas em grandes organizações. A capacidade de iniciar a mudança de rumo enquanto há tempo é fundamental para qualquer negócio.


17. Reunir a equipe: O seu time precisa saber claramente o que está acontecendo. Buscar junto com a equipe identificar as dificuldades e deixar claro que algumas medidas serão tomadas, que num primeiro momento poderão impactar temporariamente a todos, mas a médio e longo prazo todos serão beneficiados com manutenção dos empregos, salários e benefícios.


A prioridade neste momento não é o lucro, mas sim a preservação do caixa. A grande maioria das empresas morrem por falta de caixa, não por falta de resultados.


É muito importante que o empreendedor reconheça que a empresa poderá passar por uma crise, e que será necessário rever certas atitudes para superar o momento difícil. Se preparar para o pior embora pareça visão de um empreendedor pessimista, tem na verdade a visão de um gestor inteligente.


Ismael Santos – Sócio na Resultadus Reestruturação e Performance e Especialista em Reestruturação de Empresas.

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